domingo, 11 de setembro de 2011

De dentro da minha caixa

"(...) Minha força não é bruta
 Não sou freira nem sou puta
Sou rainha do meu tanque
Sou Pagu indignada no palanque."
(Pagu-Rita Lee)

Se tem uma coisa que eu acho no mínimo curiosa,é o fato de todo mundo me achar uma boneca. Eu não sei o que eu digo ou o que eu faço que projeta essa imagem pras pessoas,sem querer me isentar de qualquer culpa,eu realmente não sei.
Eu nunca tive a intenção de ser essas menininhas que só servem de enfeite,que ficam andando do lado dos caras como se fossem um acessório,que apenas sorriem e acenam,que se deixam anular em função de qualquer idiota.
Olha,eu posso não gostar de magoar as pessoas e às vezes,até me calar em por isso,posso ser a menina boba que não anda de ônibus a noite,posso fazer cara de nojo pra algumas coisas,posso gastar horas me arrumando,reclamar de coisas fúteis sem perceber e ficar chateada com coisas aparentemente triviais.
Mas,uma tênue linha me separa de uma boneca: Eu penso. Penso até demais,sabia? E não penso só em maquiagem,roupas e esmaltes. Penso nisso também,mas acredite você ou não,isso toma uma parte extremamente ínfima do meu tempo.
E vou te contar um segredo: Eu penso em coisas mais sujas do que um pedreiro quando vê uma mulher passando em frente à obra de minissaia,mas talvez por medo da forma como vão me julgar por isso,eu sempre guarde esses pensamentos pra mim.
Ao contrário do que pensam,eu não cresci numa bolha. E um dos conceitos mais errados que as pessoas têm ao meu respeito é o de que eu sou uma menina mimada. Acham que podem me resumir me limitando a duas palavras,logo eu,que até me perco em tantas variações de mim mesma...
O fato de eu estar sempre sorrindo ou fazendo graça com alguma coisa,não quer dizer que a minha vida seja mais fácil que a sua ou a de qualquer outra pessoa e nem que eu queira ser simpática e querida por todo mundo,significa apenas que eu não tenho motivo pra não mostrar o que eu tenho de bom pra quem não tem nada a ver com os meus problemas e já está preocupado o suficiente com os seus próprios. Reclamar e ser desagradável não facilitaria a minha vida em nenhum aspecto e só tornaria a convivência com as pessoas ainda mais complicada. E como eu sou avessa à complicações.
Não nasci pra ser esposinha do lar,doméstico é um termo que se aplica a gatos,cachorros e afins e também nunca me vi pertencendo a nenhum lugar ou pessoa específica,porque a vida é tão mais que se acomodar num relacionamento ou num apartamento,porque sempre vão existir lugares e pessoas diferentes pra me provar que eu ainda sei muito pouco ou quase nada,porque eu sou inquieta assim e preciso estar sempre em busca de alguma coisa,porque eu sempre quis fazer com que a minha vida fosse qualquer coisa,menos comum.
Isso tudo já me incomodou mais,agora quando vejo que as pessoas se deixam enganar pelas coisas bobas que eu falo ou pelo meu sorriso fácil,eu só consigo achar graça... Porque se você parasse pra observar com um pouquinho mais de cuidado,ia ver que a “boneca frágil” vive tropeçando e,no entanto,nunca quebrou.